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Dono da Riachuelo se filia ao PRB para disputar Presidência

Flávio Rocha acerta entrada no partido e obtém garantia de que poderá concorrer em outubro

Bruno BoghossianMariana Carneiro
BRASÍLIA

O empresário Flávio Rocha, dono da rede de lojas Riachuelo, acertou na manhã desta terça-feira (27) sua entrada no PRB para disputar a Presidência da República.

Rocha, 60, confirmou sua filiação ao partido e obteve de dirigentes da sigla a garantia de que poderá se candidatar ao Palácio do Planalto na eleição de outubro.

O dono da Riachuelo definiu sua entrada no PRB em uma conversa com deputados federais e com o presidente da legenda, Marcos Pereira —ex-ministro da Indústria e bispo licenciado da Igreja Universal.

Nas negociações com o partido, o empresário recusou ofertas para concorrer a vice na chapa de outro candidato a presidente —como Jair Bolsonaro (PSL), Rodrigo Maia (DEM) ou Michel Temer (MDB).

O acordo do empresário com o PRB envolve sua disposição em financiar a própria campanha. A sigla afirmou que não dispõe de recursos do fundo eleitoral para bancar uma candidatura presidencial. A família de Rocha tem um patrimônio avaliado em R$ 1,3 bilhão.

Na última sexta (23), o empresário anunciou que deixará a diretoria da Guararapes Confecções, controladora da rede Riachuelo, para se candidatar nas eleições deste ano. Ele permanecerá no grupo até o fim de seu mandato, em 26 de abril.

Flávio Rocha é evangélico, frequenta a igreja Sara Nossa Terra, e se diz defensor de princípios considerados conservadores —como a valorização da família e a adoção de uma plataforma linha-dura para a segurança pública.

O empresário também é ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre), que organizou mobilizações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Rocha compartilha com o grupo posições enfáticas a favor do liberalismo e da redução da participação do Estado na economia.

‘AVENTURA’

Rocha negociava sua entrada na sigla desde outubro do ano passado, quando recebeu o primeiro convite para se filiar ao PRB. Em reuniões recentes, ele demonstrou disposição em disputar o Planalto, mas deixou claro a dirigentes da sigla que não gostaria de encarar uma “aventura” caso o plano não amadurecesse.

Pelo PRB, o empresário terá direito a pouco mais de 30 segundos a cada bloco de 12min30s da propaganda eleitoral na TV e no rádio. Ele buscará alianças com outras siglas para aumentar esse tempo ou pode levar esses segundos para uma aliança com outro candidato.

Rocha também negociava com o MDB, mas optou definitivamente pelo PRB depois que o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) decidiu deixar o governo para tentar se candidatar a presidente pela sigla de Temer.