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Eu sei quem é esse Mário Lúcio! Por Helvécio Cardoso jornalista e advogado

POR Helvécio Cardoso,
é jornalista e advogado

Eu sei quem é esse Mário Lúcio!

Conheci Mário Lúcio Avelar nos final dos anos 80, em Goiânia. Éramos concluintes de Direito, na UFG. Fizemos juntos uma ou duas matérias, não me lembro bem.
Depois ele veio para o Tocantins. Virou promotor de Justiça. Eu também tinha me mudado para o Tocantins, fixando-me em Araguaína, advogando no varejo e no atacado. Reencontrei Lúcio em Tocantinópolis, onde atuamos em juri pesadíssimo, que durou mais de 24 horas. Eu defensor, ele promotor. Ele ficou hospedado na mesma pensão que eu fiquei. Depois do juri, fomos espairecer na praia. Tomamos umas cervejas e discutimos futebol.
Depois eu mudei para Palmas. Lá reencontrei Mário Lúcio. Ele tinha sido nomeado procurador da república. Estava instalando o órgão na cidade. E se hospedava em casa de compadre Josino, de cuja mulher era parente.
Lúcio é um homem de coragem. Eu ficava sabendo de coisas dele, acompanhando operações da PF de arma em punho como se fosse um policial. Mas o trabalho dele que mais me chamou a atenção foi a defesa dos índios, o carinho que ele tinha pelos Merins. Foi ele que impediu que a Transamazônica cortasse a terra dos Apinajés, trazendo toda uma série de problemas para aquele povo. A estrada teve que fazer um desvio longo.
É claro que todas essas atitudes, e o desassombro com que as tomava, desgostou muita gente graúda. Acredito nele quando diz que sofreu ameaças de morte. Eu também sofri, e não foi  só uma. Já tive que fazer audiência com revolver na cintura, porque os caras me diziam, ao telefone: “Doutor, não vá; se for, morre”. Depois, por ter denunciado delegados que prendiam crianças e batiam nelas, fui ameaçado, com a ameaça extensiva aos meus filhos ainda crianças.
Não pedi tropeção policial, mas ela me foi oferecida pelo digno major Magno – hoje deve ser coronel -, comandante do Batalhão de Araguaína. Meus filhos iam à escola sob escolta de policiais à paisana. Segurei a barra. Só deixei Araguaína quando não tinha mais ameaça. Foi quando recebi proposta profissional irrecusável para me mudar para Palmas.
Encontrei-me pela última vez com Lúcio em Goiânia, na livraria Saraiva. Eu já tinha me mudado de Palmas e Lúcio atuava em Brasilia. Soube que depois ele foi para o Mato Grosso. A imprensa sempre noticiava as façanhas dele.
Até onde sei, Lúcio foi sempre muito atuante. Eu não tenho muito apreço pelos métodos do Ministério Público. Sou um crítico acerbo dos rumos que a instituição tomou. O Ministério Público não pode ser partido político, como tem sido atualmente. Mas se promotor ou procurador quer atuar politicamente, a coisa certa a fazer é ingressar em um partido e disputar eleição, como faz qualquer político. Somente sob o manto da representação popular pode um meritocrata fazer e acontecer. Chega de Dellangnóes espúrios.
O fato de estar filiado ao Psol, para disputar o cargo de governador do Tocantins, diz muito sobre a inclinação ideológica de Mário Lúcio. O PSOL, às vezes, peca por excessos moralistas, e o moralismo, como diria Kant, é uma forma depravada de fanatismo moral. Espero que Lúcio não caia nessa. O Tocantins precisa de desenvolvimento, não de caça às bruxas. Mas, eu dizia, tenho uma discreta simpatia pelo PSOL. Pode ter seus equívocos, mas está do lado do povo, e isto é o que mais importa.
Espero que Lúcio se eleja governador do Tocantins. Vamos torcer.