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  Garoto Maicon do violino que toca e faz sucesso  pelas ruas de Palmas

 

O  garoto Maicon e o violinista que toca e faz sucesso  nas ruas de Palmas debaixo o sol de 40 graus

POR Nilo Alves

Maicon nasceu em Vila Velha em Vitória do Espírito Santo, 23, foi presenteado com um violino pela a mãe e dias após ganhou o país tocando clássicos da música brasileira. O vi  debaixo do sol escaldante de 40 graus no sinaleiro do centrão de Palmas,TO, ás 12:00h. Trocamos umas poucas idéias, me contou um pouco a sua história e disse que não pita maconha e não usa nenhum tipo de psicotrópicos e que  só toma umas cervejinha pra desopilar a cabeça e relaxar os neurônios.

 

Viaja o país por opção e pura aventura. Isso eu fiz em 1980 com o meu violão, tocava em barzinhos nas diversas capitais o Brasil anos a fio. Eu viajava sem saber o dia de voltar no estilo Maicon do violino.   O vi tocando a música  “Naquela mesa” pra ganhar uns trocados no sinaleiro que não passa de 1 mísero real por carro.  Segundo o Maicon, ele fatura de 80 a 100 reais / dia e que tem uma barraca de camping, mas segundo ele não vale a pena acampar, tem medo e prefere hotéis baratos.

 

No final das contas fica uma coisa pela a outra, paga R$ 40 do hotel e o outro que sobra é pra comer, comenta. E assim segue o garoto Maicon vai tocando e sonhando mundos com o seu violino mágico.

Há um sentimento que às vezes me dá, que não tem nome e se manifesta como uma sensação subindo e crescendo na parte de cima do peito e atrás dos olhos. Hoje, se me pedissem para descrevê-lo, eu diria que é o que eu sinto quando vejo um garoto tocando violino apenas para viver em paz.

É algo que desperta ao mesmo tempo humildade e exaltação – uma mistura de gratidão e deslumbramento. Mas, quando fui criança, eu conhecia  a música apenas como a sensação que me dava ao ouvir ao “Trio Arquiduque” de Beethoven ou a ária “Nessun Dorma” de Puccini ou qualquer outra das minhas peças de música clássica favorita, foi o que me fez um artista das letras e da música.

SOBRE OS APLAUSOS

Ninguém bateu palmas quando Maicon  terminava de tocar cada música. As pessoas de dentro dos carros o viam, sei lá, como talvez um mendigo das artes ou quem sabe, com admiração…. e mal abriam as janelas dos seus automóveis para lhe desejar gratidão. Uma buzinadinha caia bem, não é mesmo? Nem mesmo depois de uma das mais difíceis músicas já compostas, tocada por ele. Nem mesmo depois da “Ave Maria”, que há quase duzentos anos faz muita gente chorar.  Maicon tocava quase na porta de saída do Palácio Araguaia onde o governador despacha e tals…

 

O poder é como o violino. Toma-se com a esquerda e toca-se com a direita.

Maicon disse-me com palavras silenciosas através dos teus olhos que não gosta dos poderosos  e com apenas o seu olhar infanto juvenil de menino travesso deu continuidade ao seu trabalho de tocar violino em troca de pão, enquanto eu o fotografava… E foi por essas e outras que ele partiu pra essa de viajar e tocar o seu  violino por alguns trocados apenas. Ele disse que está ino pra Taquaruçu participar do festival de malabaris. Vai menino, vai, o seu sonho construir. Vai tomar conta do leme pra poder eu ir dormir.