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CONHEÇA A CULTURA DE BRASÍLIA

CONHEÇA A CULTURA DE BRASÍLIA
POR Rebecca Oliveira

Aos 57 anos, Brasília transborda cultura. Clarice Lispector, nos perdoe. Faz anos que a frieza humana — apontada por ela em crônica escrita após conhecer a cidade na década de 1960 — deu lugar à avidez por arte.

Crédito: Valdo Virgo/C.B/D.A Press

Em vez de um “grande silêncio visual”, a cidade vibra. Enche os olhos e acalanta a alma de quem escolheu viver no Distrito Federal.

A capital tem açougue cultural (T-Bone), Clube do Choro e o terceiro museu mais visitado do Brasil (o CCBB, no Setor de Clubes Sul). Está órfã do Teatro Nacional, mas conta com uma dezena de outros espaços, menores, que abrigam todo tipo de manifestação.

O quadrado do DF pulsa de um extremo a outro. Espaços como o Toinha Rock Pub (em Samambaia) e a Galeria Olho de Águia (em Taguatinga) imprimem personalidade às cidades onde estão inseridos e subvertem a cultura, levando-a para além da Zona Central.

Afetivos e construídos com empenho de quem se vê ligado à capital, muitos desses espaços estão em festa, em sincronicidade com Brasília. Projetado por Oscar Niemeyer e construído mais de 40 anos após a inauguração da cidade, o Museu da República acaba de comemorar 10 anos de funcionamento.

Wagner Barja, curador do Museu. Crédito: Bruno Peres/CB/D.A Press.

inédita exposição Mundez celebra a efeméride. Na mostra, nomes contemporâneos da arte urbana (nem sempre conhecidos ou legitimados de maneira formal) foram convidados a criar versões de obras icônicas que integram a coleção do espaço cultural e do Museu de Arte de Brasília (MAB), atualmente fechado para reforma.

“O acervo e as atividades do Museu colocam a cidade em diálogo com o mundo. É um equipamento público que tem uma visibilidade muito grande. É uma célula de contestação no centro dos Poderes da República, e que pode contar a história dela”, define Wagner Barja, diretor da instituição.

A arte urbana que colore o interior do museu aparece em uma centena de outros espaços, como a Casa Frida, em São Sebastião. Espaços de cultura independentes comprovam, por definitivo, que Brasília é muito mais colorida e menos cinza do que quando foi rascunhada e erguida.

Alguns endereços têm pouco tempo de abertura, mas despontam entre as promessas de lugares que vieram para ficar. Um deles é o Espaço Cultural Canteiro Central — bar, galeria e casa de eventos — inaugurado no ano passado.

No coração do Setor Comercial Sul, foi um dos pontos mais efervescentes no carnaval deste ano, o maior da história do Distrito Federal. Há quem diga que ele veio para ocupar o hiato deixado pelo Balaio Café, fechado em dezembro de 2015, após 10 anos de funcionamento.

“O Balaio teve um papel muito importante na promoção da cultura da igualdade na cidade. O trabalho da Jul Pagul foi muito forte nesse sentido. Aprendemos muito com ela e é uma busca que tem que ser continuada”, defende Márcio Leal, um dos sócios do empreendimento.

“É um local onde as pessoas se sentem confortáveis, porque não há essa restrição sonora. Lá, o público se sente livre”, acredita. Somado ao Canteiro Central, outros 56 lugares se fincam entre os mais relevantes da história da capital.