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Fevereiro será crucial para derrubar Nicolás Maduro, diz Guaidó

Fevereiro será crucial para derrubar Nicolás Maduro, diz Guaidó

YURI CORTEZ/FP

 

Esta montagem criada em 02 de fevereiro mostra o presidente venezuelano Nicolas Maduro (esquerda) em discurso que marca o 20º aniversário da ascensão ao poder de Hugo Chávez; ao lado, o líder da oposição, Juan Guaido, discursa para milhares de apoiadores em CaracasImagem: YURI CORTEZ/FP

02/02/2019 21h03

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, assegurou que fevereiro será “determinante” para tirar do poder o presidente Nicolás Maduro, que ameaçou antecipar as eleições para renovar ainda este ano o Parlamento, liderado pelo opositor.

“Encerramos janeiro com força, um janeiro que nunca vamos esquecer neste país, assim como enfrentamos um fevereiro que tem que ser determinante”, declarou um Guaidó afônico para uma multidão que desafiou Maduro no 20º aniversário do governo chavista.

Do palanque em frente à sede da União Europeia, no leste de Caracas, Guaidó assegurou que em 12 de fevereiro será realizada uma manifestação no Dia da Juventude, entre outros atos que prepara.

Em sua primeira aparição em uma praça pública em seis meses, Maduro disse, no centro de Caracas, diante de outra enorme manifestação, garantir uma proposta da governista Assembleia Constituinte para antecipar de 2020 para este ano as legislativas.

“Estou de acordo e me comprometo com esta decisão (…) Querem antecipar as eleições? Vamos às eleições!”, disse o presidente, reiterando que os Estados Unidos usam Guaidó como um marionete para derrubá-lo com um golpe de Estado.

Uma antecipação destas eleições aponta a destituir a oposição do único poder que controla desde janeiro de 2016, após sua vitória avassaladora nas parlamentares de 2015, origem do conflito.

Guaidó, autoproclamado presidente encarregado em 23 de janeiro, convocou esta marcha para apoiar o ultimato dado a Maduro por França, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Portugal e Holanda para que aceite realizar “eleições livres” ou caso contrário, vão reconhecer o opositor.

“Fora ditador”, “Maduro usurpador”, diziam os cartazes da oposição. “Vão para o caralho, ianques de merda”, gritava uma governista.

– “A transição é iminente” -O início das manifestações em todo o país foi agitado por um vídeo difundido nas redes sociais em que o general Francisco Yánez, da Aviação Militar, disse não reconhecer Maduro, tornando-se o militar da ativa de maior patente a reconhecer Guaidó.

“Noventa por cento da Força Armada não está com o ditador, está com o povo”, disse Yánez, assegurando que a “transição para a democracia é iminente” e pedindo aos militares para não dar “as costas ao povo”.

O assessor de Segurança Nacional americano, John Bolton, pediu aos militares para seguir “a liderança do general Yánez”.

A conta no Twitter da Aviação Militar postou a foto de Yánez, com a palavra “traidor” atravessada. “É um golpe duro para a FANB, embora (o oficial) não tenha comando”, disse à AFP a especialista em assuntos militares Rocío San Miguel.

Sem mencionar o fato, Maduro disse em seu discurso que “a Força Armada está cada vez mais leal e mais comprometida”, sob seu comando.

Guaidó oferece anistia aos militares que tentam rachar a principal sustentação do governo: a Força Armada.

“Estou certo que muitos militares o seguirão muito em breve”, assegurou o opositor, em alusão ao general.

Neste sábado, Maduro – apoiado por China e Rússia – anunciou a incorporação de pelo menos 20.000 milicianos civis à Força Armada para enfrentar o que denunciou como um “plano macabro” do presidente americano, Donald Trump.

– “No somos mendigos” -Guaidó, de 35 anos, se autoproclamou depois que o Congresso declarou Maduro um “usurpador”, após assumir em 10 de janeiro um segundo mandato que considera ilegítimo – assim como parte da comunidade internacional – por resultar de eleições consideradas fraudulentas.

Em seu discurso, assegurou que nos próximos dias vai começar o aprovisionamento da ajuda humanitária nos vizinhos Brasil e Colômbia e em uma ilha do Caribe, e exigiu que os militares deixem-na entrar no país.

“Não fomos, nem seremos um país de mendigos (…) Há alguns que se sentem mendigos do imperialismo e vendem sua pátria por 20 milhões de dólares”, respondeu Maduro, ao se referir à quantia oferecida por Washington a Guaidó em alimentos e remédios.

Maduro rejeita a ajuda, afirmando que abrirá a porta a uma intervenção militar, e diz ter o apoio da população porque, apesar da devastação econômica, a revolução do falecido líder socialista Hugo Chávez (1999-2013) zela pelos pobres com programas sociais.

O governo atribui a crise às sanções americanas.

Os venezuelanos sofrem com a hiperinflação e uma escassez de alimentos e remédios. A petroleira PDVSA está em default e sua produção, em queda livre, estrangulada por sanções dos Estados Unidos, que embargam a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.

Em busca de uma saída para a crise, a UE vai criar um Grupo de Contato de países europeus e latino-americanos durante “90 dias”, enquanto México e Uruguai convocaram uma conferência com “países neutros” em 7 de fevereiro, em Montevidéu.

Maduro voltou a pedir diálogo, mas Guaidó assegurou que os opositores “continuarão nas ruas até que cesse a usurpação”.

As manifestações transcorreram em paz. Distúrbios deixaram na semana passada 40 mortos e 850 detidos, segundo a ONU, e em 2014 e 2017, duas ondas de protestos deixaram pelo menos 200 mortos.

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