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A cultura no Tocantins só funcionou até o ano  de 2008

A cultura no Tocantins só funcionou até o ano  de 2008

 

Por Nilo Alves

Agência JPA

 

O ano de 2008 para a cultura no Tocantins foi marcado pela realização de projetos importantes que visaram à produção, capacitação, circulação e o fomento das manifestações artísticas e culturais, com respeito à grande diversidade cultural do Estado. Tínhamos o Caminhão BR Cultura que levava música para os quatro cantos do Tocantins, ajudei a levar 40 músicos para gravar no pragrama da Globo, Frutos da terra do Hamilton Carneiro em Goiânia, e uma apresentacao musical no Espaço Ville do compositor, cantor e economista Lucas Faria na Vila Nova. Gravamos discos e fizemos dezenas de shows na gestão do Júlio César Machado Fundação Cultural e outras atividades. Tínhamos até uma casa do artesanato no centrão de Palmas e os artistas se encontravam todos os dias na Fundação da cultura.

 

No campo da Literatura a Biblioteca se destava,  havia  parcerias entre governo federal e o governo do Estado, por meio da Fundação Cultural  que garantiu recursos para a implantação, reestruturação e modernização de 22 bibliotecas públicas municipais e as iniciativas de capacitação, como a do Programa Livro Aberto, que ministrou cursos para auxiliares de bibliotecas e professores do interior do Tocantins.

A 3ª edição do projeto ‘Jardim da Poesia’, desenvolvido pela área da literatura, mostrou ser uma vitrine da produção poética tocantinense, com a exposição de textos no Museu Histórico do Tocantins – Palacinho, em Palmas, em parceria com a ATL – Academia Tocantinense de Letras.

Outra importante ação para literatura tocantinense foi a reativação da Bolsa de Publicações Doutor Maximiano da Mata Teixeira. A Bolsa tem como objetivo publicar obras inéditas, escritas em língua portuguesa, por autores do Tocantins. Em apenas um ano, foram contempladas uma obra de ficção (“A morte no bordado”, do escritor José Leandro de Bezerra Júnior (JJ Leandro), de Araguaína), e outra de poesia (“O bordado da urtiga”, do escritor palmense Gilson Cavalcante), e os meus livros Fogoió na sertania do Tocantins e Fogoió o rei da confusão.

Patrimônio

Na área Patrimonial, técnicos do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, juntamente com técnicos da diretoria do patrimônio da Fundação Cultural do Estado, iniciaram a segunda etapa do mapeamento do patrimônio histórico cultural do Tocantins, visitando as cidades de Almas, Dianópolis, Paranã, Arraias e Taguatinga. A equipe esteve identificando as manifestações culturais existentes e o patrimônio edificado destas cidades, o que  apontou subsídios para a efetivação de políticas públicas direcionadas ao setor. Outras obras de revitalização, realizadas em parceria com o IPHAN, também foram entregues à comunidade nativitana, como a Casa de Cultura Amália Hermano Teixeira e a segunda intervenção da Igreja Matriz da cidade. Tudo isso acabou-se ao vento… engavetaram a Secretaria da cultura e a fundação cultural… que pena…

A Fundação Cultural realizou a segunda etapa do Inventário Sóciocultural das Comunidades Rurais Negras e Remanescestes de Quilombos do Estado, na comunidade quilombola de Cocalinho, em Santa Fé do Araguaia. Outras ações foram o apoio na realização das manifestações culturais que faziam parte do calendário cultural do Estado, como os Festejos de Monte do Carmo, a Romaria do Bonfim e as Cavalhadas de Taguatinga. Será que o governador Carlese vai ressuscitar a cultura no Tocantins?

Para a rica cultura indígena, equipes da Fundação Cultural do Tocantins e IPHAN lançaram juntas aos índios Karajá o material coletado durante a 1ª etapa do processo de registro do ritual do povo Iny, o Hetohoky, de 9 a 11 de setembro, na Aldeia Santa Izabel, na Ilha do Bananal. O mapeamento foi realizado e o reconhecimento do ritual junto como Patrimônio Cultural Brasileiro foi uma solicitação da Fundação Cultural do Estado, onde também foi documentado o Hetoroky dos índios Javaé.

Artes

Para política de apoio à circulação das artes plásticas, foram naquela época destaques as exposições realizadas na Galeria de Artes Mauro Cunha, que era localizada na sede da Fundação Cultural, em Palmas, e de exposições em outros espaços e em outros estados, como a exposição na Embaixada da Áustria, em Brasília, e o apoio ao CNFC – Centro Nacional do Folclore e Culturas Populares na pesquisa do capim dourado na região do Jalapão, resultando na exposição de artesanato no Rio de Janeiro que teve o apoio da falecida Lily Marinho que esteve em Palmas a convite da Fundação Cultura gestaão Júlio César Machado. Naquela época a cultura respirava vitórias e glórias, hoje está no caos e no submundo da consciência política cultural dos nossos representantes dos três poderes.

Exemplo de incentivo à produção, capacitação, circulação e fomento, o projeto BR Arte e Cultura promoveu a circulação de espetáculos artísticos (dança, teatro, música) exibição de filmes e documentários, além da realização de oficinas culturais nas cidades do interior do Estado. Hoje circula o marasmo cultural nos rincões dos Tocantins.

Na música, podia destacar-se á realização do Painel Funarte de Bandas de Música, em parceria com a Funarte/MinC, no auditório do Memorial Coluna Prestes, que contou com o curso intensivo de Regência (Técnicas de Ensaio/Prática de Conjunto), ministrado pela maestrina Mônica Giardini, de São Paulo. Participaram da oficina cerca de 70 pessoas de todo o Tocantins, entre maestros e interessados. Hoje esse espaço é esquecido pela população tocantinense…

Outra grande ação de incentivo à formação e divulgação dos músicos tocantinenses está na realização do 1° Festival de Música Sertaneja do Tocantins, que teve o objetivo de incentivar a música raiz e revelar novos talentos em todo o Estado. Para o presidente da FCT, Júlio César Machado, a Fundação desenvolveu  a cada ano projetos e ações que buscaram fomentar e valorizar a diversidade cultural e histórica do povo tocantinense que vive a mercê da nossa cultura que desaparece aos poucos…. que pena, não é mesmo?

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