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Vestibular 2020: como usar intertextualidade na sua prova de redação

Getty Images/iStockphoto

Imagem: Getty Images/iStockphoto

Colaboração para o UOL

02/12/2019 04h00

  • A intertextualidade é uma conversa entre dois textos
  • O recurso potencializa a força da crítica e da escrita
  • O vestibulando pode mostrar seu repertório cultural por meio da intertextualidade

O uso da intertextualidade nas provas de redação é um bom recurso para o vestibulando mostrar seu repertório cultural e aumentar a sua nota na prova. Os fatores que caracterizam a técnica e qual é a melhor forma de usá-la em uma redação, porém, precisam ser bem conhecidos dos candidatos.

A intertextualidade é a referência explícita ou implícita de um texto por outro texto. Ou seja, são textos que se conversam. Segundo o professor Rodrigo Varejão Pereira, do Cursinho Maximize, ela pode ser feita por sete meios: epígrafe (referência inaugural), citação, paráfrase (escrever de outro modo), paródia, pastiche (fontes diversificadas), tradução e referência. Em todos, há referências aos chamados textos-fonte.

“Toda essa riqueza se refere ao repertório cultural e uma espécie de força latente de potencial crítica e de escrita”, explica Pereira.

Repertório cultural

De acordo com a professora Carol Achutti, do Curso Descomplica, essa relação entre textos pode ser positiva ou negativa. “O estudante pode pegar uma referência de um autor e argumentar concordando com ele. Porém, ele também pode selecionar um texto com o qual ele discorda e, a partir dele, mostrar seu próprio ponto de vista”, explica.

“Você precisa tentar ver a relação com o que você conhece. Isso é o que vai diferenciar a sua nota, o que vai mostrar originalidade e te diferenciar dos outros. A técnica mostra repertório pessoal. Quando eu cito uma fonte ou um dado estatístico, por exemplo, estou mostrando meu repertório”, afirma Achutti.

A forma mais segura de usar a intertextualidade, para Klauber Oliveira, do Cursinho Maximize, é focar no texto de apoio sugerido na própria prova. “O estudante que fizer uso de outros repertórios de fora da prova irá se destacar mais”, ressalta.

“Para o candidato se diferenciar, ele pode ir além e pegar exemplos do conhecimento dele para falar do tema pedido na redação. Quando ele fala de um texto de outro ator, ele está se diferenciando dos demais. Isso é algo benéfico para o conteúdo da redação e mostra que o candidato tem conhecimento próprio e original”, constata Oliveira.

Oliveira também lembra que, ao citar o texto de outro autor, o candidato pode fazer a citação de maneira direta (colocando as palavras exatas usadas pelo autor do texto entre aspas) ou de forma indireta (explicando o que o autor quis dizer, mas sem usar as palavras exatas e nem as aspas).

“Mas ele tem que tomar cuidado para fazer isso de maneira adequada. Ele tem que ter bastante leitura e bastante conhecimento daquilo que está falando”, alerta o professor.

Carol Achutti também lembra que o objetivo maior do vestibular não é saber se o estudante consegue decorar uma citação exata para colocar na prova, mas sim se ele tem a ideia geral e coerente em relação à teoria que está sendo passada pelo autor citado no texto. “O vestibulando não precisa ficar preso em um discurso literal”, diz.

O importante, segundo os educadores, [e fazer alusões com propriedade. “É por isso que cultura não é a quantidade de livros que se lê, mas sim o espírito crítico e ausência de preconceitos. Quem está aberto ao conhecimento, lê o mundo e acumula vasto repertório, possibilitando leituras infinitas”, constatou.

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