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O capitalismo enfraquece e o Brasil segue como está para ver como fica

O capitalismo enfraquece e o Brasil segue como está para ver como fica

O capitalismo enfraquece e o Brasil segue como está para ver como fica

Tenta-se compensar o rombo vendendo ativos do patrimônio nacional e escolhendo parceiros não clientes, mas concorrentes

SmartBrain, “Cérebro Esperto”, em inglês, revela para onde, em 2019, os brasileiros mais ricos dirigiram seus investimentos. Lideraram ações da Petrobras ON e fundos de gestoras independentes. Exceção a ligada ao BTG Pactual.

 

Mesmo que espertos, o nobilíssimo jornalista Nestor, de meu blog no GGN, morador do Bixiga, em São Paulo, e sua nega Adelaide, passista da escola de samba Vai-Vai e dona do boteco “Me Serve Mais Uma”, não conseguiram juntar os mais de trezentos mil reais para serem alvos dos tentáculos humanos que operam para as gestoras de grandes fortunas, não ou pouco taxadas.

“Ah, esses brasileiros pobres sem vocação para a poupança, assim não vai, assim não dá.”

Devem, Nê e Adê, ter estranhado a euforia com uma perolífera, supostamente vítima de farta drenagem de recursos por corrupção e interesse privatista, hoje “compensada” por venda de ativos que estão destroçando seus potenciais vetores de crescimento, em economia há cinco anos estagnada, e setores produtivos, mercantis e de serviços não financeiros, formadores de filas de desempregados.

Mas assim é que é e parece será. Branko Milanovic foi durante 20 anos economista-chefe do departamento de pesquisa do Banco Mundial. Hoje é professor em New York. Vai direto na veia ou na véia, como prefere este colunista galhofeiro, pois foram poucos os períodos do desenvolvimento brasileiro em que se procurou inverter o penoso caminho social: “Políticas do governo brasileiro atual podem elevar desigualdade”, declarou ao Valor, em 29/01/20.

Perguntado sobre o que o Brasil pode fazer para reduzir a desigualdade, cita o Plano Real, de FHC, e as políticas desenvolvimentistas em educação, renda e emprego, de Lula e Dilma, em depoimento dado a Thais Carrança:

“(…) O ensino se tornou amplamente disseminado e o número médio de anos de formação cresceu. O segundo elemento foi um aumento real significativo do salário mínimo, que durou mais de 10 anos e agora foi revertido. O terceiro, são todos os programas sociais, como o Bolsa Família.”

Nunca tivemos dúvida disso. Bastaria que tivéssemos ouvido Belluzzo, Laura Carvalho, Nogueira Batista Jr., outros na época, ou mesmo agora, com os pilares da inserção social sendo destruídos, os convertidos Armínio Fraga e André Lara Resende.

Saberíamos, por exemplo, que não foi essa política ou a corrupção que causaram o “rombo” em nossas contas fiscais, como hoje inculcado no imaginário coletivo da população, a fazê-la bolsonarista pelo despreparo do Posto Ipiranga. Tais gastos sociais poderiam muito bem ter sido compensados com taxações mais vigorosas sobre grandes fortunas e aplicações financeiras.

Mas não, hoje em dia, tenta-se compensar o rombo vendendo importantes ativos do patrimônio nacional, escolhendo parceiros não clientes, mas sim concorrentes, deixando o meio ambiente estar para ver como fica, e massacrando os setores industrial, mercantil e de serviços não financeiros.

Não à toa, o professor de economia política internacional da John F. Kennedy, em Harvard, Dani Rodrik, baseado no livro “Deaths of Despair” (Mortes do Desespero), dos pesquisadores Anne Case e Angus Deaton, mostra os prejuízos sociais trazidos pelo “livre mercado”, nos EUA. Dani escreve: “O capitalismo não está mais mostrando resultados e a economia é, no mínimo, cúmplice nisso”.

Parece que a senda aberta por Thomas Piketty, tanto em “O Capital no Século 21”, como em seu novo livro, “Capital e Ideologia” (1200 páginas), tradução para o inglês a ser lançada no próximo mês, influenciou muitas cabeças sobre a necessidade de formas mais agressivas de redistribuição de renda.

O próprio Milanovic, citado no início deste texto, que sempre se pautou na dualidade entre o “capitalismo meritocrático liberal” do Ocidente e o “capitalismo político” da China, crê eles estarem convergindo e que um novo contrato social precisa ser estabelecido.

Esse mesmo enfraquecimento do capitalismo nas bases atuais vem sendo criticado por Martin Wolf, principal editor de economia do Financial Times. Adverte: “Assim não funciona”, mesma percepção do cientista político Dominique Reynié: “Só crescimento com inclusão salva a democracia”.

Por tudo isso, e por reconhecer pequeno aumento na inflação de dezembro, o Regente Insano Primeiro concedeu seis reais extras de aumento no salário mínimo, a partir de fevereiro de 2020. Alvíssaras!

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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