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Josi Nunes defende reeleição de Marcelo Miranda e fala que é “constrangedor” ter Kátia no PMDB

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Josi Nunes defende reeleição de Marcelo Miranda e fala que é “constrangedor” ter Kátia no PMDB

Congressista adianta voto contrário à Reforma da Previdência e favorável ao distritão

LUÍS GOMES, DA REDAÇÃO21 de Aug de 2017 – 17h33, atualizado às 18h55
Em pouco mais de dois anos e sete meses na Câmara Federal em seu primeiro mandato de deputada federal, Josiniane Braga Nunes (PMDB) votou pelo impeachment de uma presidente, livrou outro de seu afastamento por uma denúncia de corrupção passiva, além de ter votado uma série de matérias que vão impactar diretamente a sociedade nos próximos anos, e ainda deve vir outras para apreciar. Para falar sobre esta experiência no Congresso Nacional e também sobre os mais recentes conflitos políticos no Tocantins é que a peemedebista conversou com o CT.

Josi Nunes recebeu o CT em seu gabinete de Palmas na sexta-feira, 18, mesmo dia em que o governador Marcelo Miranda (PMDB) foi alvo da Operação Convergência. Talvez está sendo razão da reunião no Palácio Araguaia que a fez se atrasar em uma hora para a conversa marcada. Questionada sobre uma reeleição do líder peemedebista, a deputado foi enfática ao destacar que, apesar da crise de imagem que enfrenta, o atual inquilino do Palácio Araguaia “é o melhor candidato para o Tocantins”. A congressista entende que o correligionário conseguiu avanços importantes mesmo com a crise financeira, e entende que poderá fazer mais com mais um mandato.

Se por um lado o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) no Tocantins tem Marcelo Miranda como seu maior líder, por outro tem a senadora Kátia Abreu – afastada da legenda – como persona non grata. Josi Nunes falou da trajetória da colega de Congresso Nacional na sigla, como fato de ter sido uma indicação do próprio presidente Michel Temer (PMDB) em 2013, reforçou a dificuldade em reelegê-la na eleição de 2014 e expôs a insatisfação da agremiação. “É constrangedor nós termos um membro que diz que é do PMDB, está na sigla, mas não é. Dentro do nosso partido ela não tem espaço”, disse a deputada, que prevê a saída definitiva dela.

Josi Nunes também falou do prefeito Carlos Amastha (PSB), que chegou a criticar duramente a bancada federal do Tocantins. A deputada minimizou o caso, mas fez questão de rechaçar o discurso do “novo” e de ser “gestor, não político” do pessebista. “Fico preocupada com os políticos que tentam crescer falando mal de outros”, disse. Mesmo com as críticas, a peemedebista disse respeitar o palmense e indicou que não gostaria de vê-lo disputando o governo do Estado. “Espero que ele faça um bom trabalho, na prefeitura de Palmas, e que a gente possa trabalhar juntos. Marcelo Miranda governador, ele prefeito. Tá tudo bem”, disse de forma bem humorada.

A deputada federal ainda comentou sobre a reforma política, prevista para ir ao Plenário nesta semana. A peemedebista defendeu o distritão por entender que o sistema vai promover uma “ligação maior entre o eleitor e o seu representante”, mas disse que ser contra o Fundo de Financiamento da Democracia. Josi Nunes também adiantou voto contrário à reforma da previdência e explicou que livrou Michel Temer do possível afastamento para “evitar que o Brasil paralise”. A congressista ainda adiantou a intenção de ser reeleita em 2018, e não descarta uma candidatura à Prefeitura de Gurupi em 2020. “Não só sua vontade que vale. O meu nome está à disposição, mas temos outros nomes lá”, ponderou.
Confira em seguida a íntegra da conversa:

CT – Inicialmente, deputada, como avalia a sua atuação na Câmara Federal nestes dois anos e sete meses de primeiro mandato? Quais foram os principais desafios e conquistas?

Josi Nunes: Esses dois anos e meio de mandato foi um período de muito aprendizado. Foi uma mudança muito grande sair daqui da Assembleia Legislativa, onde digo que o deputado estadual tem o poder de legislação muito limitado, e você ir para Brasília como deputada federal, em que o poder de legislar é imenso. Ali você trata sobre tudo. Tudo o que você faz mexe diretamente na vida do cidadão. Então foi uma diferença muito grande.

O primeiro ano para você aprender, entender, como funciona a casa. Não é fácil. Entrei para um curso, fui estudar, e estou aprendendo. Então, o primeiro ano foi difícil, mas nós estamos nos adaptando, e vejo que a avaliação é positiva pelo o que já conseguimos conquistar para o nosso Estado, em termo de recursos, emendas. A nossa bancada é bem unida, estamos trabalhando juntos. Quando fala do Tocantins, a gente deixa qualquer divergência eleitoral, porque estamos competindo um com o outro. Quando fala do Tocantins no processo do mandato, nós somos bastante unidos.

Agora, sem dúvida nenhuma foi um mandato muito difícil. Nós tivemos que enfrentar duas situações de lidar, de mexer com a Presidência da República. Foi um ano tumultuado. E uma crise imensa. Isso tudo traz dificuldades, conflitos que a gente tem que estar resolvendo e lidando no dia a dia. Mas para mim tem sido uma experiência muito positiva. E ver que posso colaborar diretamente com os municípios do Tocantins – digo que sou uma parlamentar municipalista – é muito gratificante.

CT – Como a senhora mesmo colocou, estamos vivendo em um período muito conturbado, e a sociedade também está descrente com a classe política. Como é ser congressistas nesta situação?

Josi Nunes: É complexo. Realmente a sociedade, principalmente neste últimos anos, está muito decepcionada e com razão. Eu respeito e compartilho com a sociedade toda esta indignação. É triste precisar de saúde, de um hospital na hora da doença, uma escola para seus filhos, e ver todo esse processo de corrupção. Isso é lamentável, gera essa revolta do povo brasileiro, mas acredito que nós temos buscado analisar toda a situação em seu conjunto. Sei que muitas vezes a gente pode decepcionar a nossa comunidade, mas nosso objetivo, sempre que tomamos alguma decisão na Câmara, é buscando o que for melhor para o Brasil e nossa gente. Mas é claro que traz decepções, traz também alegrias. Então, trabalhamos neste aspecto: buscando alternativas que vise o Brasil como um todo.

CT – A senhora dá sustentação a um presidente que tem a gestão reprovada por 70% da população e apoio de apenas 5%; o pior índice da história. O que motiva este apoio a Michel Temer? Não tem receio de uma reação negativa do eleitorado?

Josi Nunes: Todos nós políticos temos receio de uma reação negativa do eleitor, e acaba que, infelizmente, dentro deste contexto, pode acontecer. Nós estamos vivendo um momento de crise muito grande. Muitas vezes as pessoas não podem perceber o tamanho dessa crise. Nós temos pessoas sofrendo, muito. Tem uma parte da nossa sociedade que tem seu emprego, que de uma certa forma – apesar de não ter suas conquistas de direitos trabalhistas, por exemplo o servidor público, que está com dificuldade na data-base, na progressão – estão preservados. Agora nós temos um grande contingente de pessoas, 14 milhões, que estão desempregadas; um empresariado que não está investindo, estão fechando suas portas; não está tendo novos mercados de trabalho; o investidor externo não investe; o Brasil está perdendo credibilidade, confiança.

Foto: Divulgação
Josi Nunes sobre manutenção de Michel Temer na Presidência da República: “Este desejo de fazer com que o caos não tome conta do Brasil é que faz com que nós continuemos dando este apoio”

Eu digo que o grande problema dessa crise toda são dois aspectos. Nós temos um problema de gestão grande: fizeram compromissos maiores do que o financeiro e orçamentário poderia assumir; e, além disso, temos um processo de corrupção, que não é de hoje, é antiga, mas que de uns anos para cá acabou sendo institucionalizada, passou a fazer parte do governo, do mecanismo de governar, infelizmente. Então vejo que esses dois motivos trouxeram uma crise profunda.

Nós tivemos a questão do impeachment que nós tivemos que tomar uma decisão, e tomá-la não é fácil, é difícil. Mas por que estamos dando apoio a este governo? É porque depois da situação do impeachment, o governo, aos trancos e barrancos, tem conseguido ter uma melhora. Por que que nós continuamos dando esse apoio? Porque nós queremos evitar que os juros subam, que a inflação volte a ter dois dígitos. Ano passado estávamos passando a inflação acima de 10%, e quando a inflação sobe, tudo sobe; nosso salário perde o valor. Então, nós estamos querendo evitar que isso aconteça. Evitar, por exemplo, que o dólar suba. Quando há sinal de uma mudança na direção da presidência, você vê que o dólar vai lá para as alturas, e tem empresas que sobrevivem com produtos que são adquiridos com este valor do dólar.

É isso que nós estamos tentando evitar. Evitar que o Brasil paralise. Há uma certa estabilidade. Ela não é grande, está longe de ser grande, mas há certa estabilidade. E é esta estabilidade, este desejo de fazer com que o caos não tome conta do Brasil é que faz com que nós continuemos dando este apoio.

Além disso, tirar um presidente neste momento… Vejo assim, no caso que aconteceu, que votamos no dia 2 [arquivamento do processo de corrupção passiva contra Michel Temer], todo o clamor era para o presidente ser investigado porque está sendo denunciado por corrupção. Aí você tira um presidente, em que existe um indício de corrupção, para por um outro [Rodrigo Maia, presidente da Câmara] que também tem indício de corrupção. Então, na minha avaliação, quando tomei minha decisão, é trocar seis por meia dúzia. Qual era o objetivo? Acabar com a corrupção? Primeiro, nós não acabaríamos com a corrupção só com essa medida. Precisamos ter um conjunto de ações, reformas profundas, revolucionárias para acabar com a corrupção.

A nossa ação no dia 2 não está absolvendo este presidente. Passou o seu mandato ele vai responder na Justiça e o processo de investigação continua. Eu digo assim, a coisa está tão ruim, que nós escolhemos pelo menos ruim. Nós buscamos isso, salvar o pouco. Para que sangrar mais? E vamos ter uma eleição já no ano que vem. Está muito próximo. E você tira o presidente, assume o presidente da Câmara – com indícios de corrupção também -, ele ficará seis meses no mandato até que o Supremo [Tribunal Federal] possa analisar o processo de investigação. Destes seis meses, se o Supremo decidir que não houve problema nenhum, o presidente atual volta; se entender que é culpado, ele não volta mais. Mas o presidente da Câmara, daqui a sete ou oito meses teria que fazer uma nova eleição. Nós já estaremos no ano que vem, e nós teremos eleições em outubro.

Foi esse conjunto de situações que fez com que nós, alguns parlamentares, apoiássemos a continuidade dessa gestão. Isso não significa que apoiamos a corrupção. De forma alguma, eu votei a favor das Dez Medidas Contra a Corrupção e tudo que fala neste sentido, tenho apoiado. Mas é este o contexto que fez nós adotássemos esta decisão.

Entendemos que há uma revolta, que pode não ter sido a melhor alternativa aos olhos de alguns, mas nós tivemos que tomar uma decisão. E em cima desse conjunto da obra que nós tomamos a decisão.

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
“O que a gente está tentando fazer com políticas é baratear essas campanhas, fazer com que o processo seja mais igualitário e todos possam ter o mesmo direito. Não é fácil. Não estou dizendo que com o distritão isso vai ser resolvido, mas é uma alternativa de mudança”

CT – Na análise da senhora, o modelo “distritão” é benéfico para a democracia? E o fundo de financiamento? Qual sua posição em relação a reforma política?

Josi Nunes: Nós fizemos uma reunião com vários parlamentares e estamos muito preocupados. É uma matéria importante, é uma das reformas que precisa acontecer, até para a gente amenizar o processo de corrupção no Brasil; é um dos mecanismos.

Particularmente sou a favor do “distritão”, que é vencer o mais votado. Todo processo vai ter alguma queixa. Qual é a reclamação do processo proporcional que temos hoje? É que elegemos pessoas que não tiveram a quantidade de votos suficiente. Esta é a questão. Mas por que isso? Porque o processo proporcional visa fortalecer o partido. Mas infelizmente ou felizmente, a gente não sabe a resposta correta, no Brasil não há muita diferença entre os partidos. Acabou ficando tudo parecido. Então, reforçar os partidos do Brasil nós não temos sentido que tem tido resultado positivo. As pessoas não sabem identificar qual é o partido A ou B, ele vota na pessoa. Entendo que o distritão poderia fazer uma ligação maior entre o eleitor e o seu representante, porque iria eleger aquele que teve mais voto.

Mas o outro tema, eu já avisei ao meu partido que em relação ao fundo [de Financiamento da Democracia (FFD)], da forma como está estabelecido, nós não vamos votar a favor. Nós entendemos que devemos fazer o nosso dever. Estamos numa crise profunda. Já temos o fundo partidário, então vamos usar o que já existe a vários anos, otimizar ele. Agora diante de uma crise dessa, tirar recursos do orçamento da União para criar um fundo para financiar o processo de campanha eleitoral, nós não concordamos. Já avisamos, já informamos ao nosso partido, que neste ponto não terá o nosso apoio.

CT – Mas e a crítica ao distritão de que o sistema pode acabar com a renovação política, tirar representação das minorias, e ainda favorecer os caciques dos partidos nos Estados? 

Josi Nunes: Mas no processo proporcional isso também acontece. Se você observar, vai eleito os mais bem votados daquela coligação. Geralmente é quem já tem um certo trabalho. Hoje o que eu vejo é o seguinte, que quem deseja participar do processo político tem que ter algum trabalho junto a comunidade. Se ele tem, quando passa pelo processo eleitoral, vai conseguindo construir esse caminho. Agora não dá para pegar uma pessoa que resolve ser candidato um mês antes das eleições, não tendo um trabalho social, comunitário, de base, simplesmente porque tem dinheiro, e isso acontece muito, entrar e ganhar. Então também temos esse problema dentro do sistema atual, e vamos ter no outro também.

O que nós temos que consolidar os políticos que tem identidade, que tem um trabalho, que apresenta na sua trajetória ficha limpa, que é fundamental, e que essas pessoas possam permanecer e que o próprio povo, diante de várias situações, possa ir tirando aqueles que não desejam mais. Agora é importante na hora da eleição a comunidade saber bem escolher. Hoje as pessoas criticam muito a corrupção que tem no nosso Parlamento, e tem mesmo. Temos ali quase 200 parlamentares que estão envolvidos ou denunciados de algumas forma. Nós temos os três maiores partidos do Brasil em que todos os seus líderes maiores também estão envolvidos. Agora, o eleitor tem que fazer esse filtro. Se eles estão lá é porque foram eleitos. E são casos que não são de agora, temos casos de indícios de corrupção antigos, mas essas pessoas continuam voltando pro processo e sendo reeleitos. Muitos deles pela questão econômica.

Então, o que a gente está tentando fazer com essas reformas políticas é baratear essas campanhas, fazer com que o processo seja mais igualitário e todos possam ter o mesmo direito. Não é fácil. Não estou dizendo que com o distritão isso vai ser resolvido, mas é uma alternativa de mudança.

Por exemplo, com o distritão nós iremos acabar com as coligações. Nós temos no Parlamento 31 partidos. Na hora que senta não consegue fazer um consenso. Em outros países não tem essa quantidade de partidos. Todo ano no Brasil é um, dois, três partidos sendo criados. E são partidos que, em uma eleição, usa-se para fazer uma barganha, uma troca, para vender o partido, o tempo de televisão. Então nós temos que diminuir. Vejo também que vai ter mais unidade entre o eleitor e seu representante. Ele vai poder cobrar mais, ter uma identidade, um vínculo com esse representante. E esse representante vai ter um compromisso até maior. Vejo que nestes casos o distritão é positivo.

E é um processo transitório. O objetivo do Parlamento é que em 2022 seja o [sistema] distrital misto, que é complexo, terá que fazer um bom trabalho para a sociedade entender e compreender, mas é um processo que é utilizado em países desenvolvidos, democráticos. Então vejo que tudo é uma busca de aperfeiçoar.

CT – E quanto a Reforma da Previdência?

Josi Nunes: Essa matéria não terá o meu voto a favor. É inegável que um dos grandes responsáveis pelo rombo nas contas públicas é o déficit da Previdência. Reconheço que precisamos repensar e modernizar a legislação até mesmo em função da adequação da realidade previdenciária com as transformações que a sociedade impõe. No entanto, não é justo deixar que o cidadão pague por esta conta. Acredito que antes de mais nada, o governo deve fazer o seu “dever de casa”. Que tal uma diminuição na máquina administrativa, uma diminuição na enormidade de cargos comissionados, uma diminuição no número de ministérios, o respeito ao “teto” remuneratório no serviço público?

Enfim, entendo que antes de se votar uma pesada reforma na Previdência, que de certo, vai impor sacrifícios às pessoas comuns, deve-se antes, enxugar a máquina pública. E outra, ainda não sabemos ao certo, o tamanho do rombo causado por esse déficit da Previdência, assim sugerimos que seja feita uma auditoria nessas contas, pois precisamos de transparência, de números, antes de votarmos uma reforma tão séria e profunda.

Foto: Divulgação/PSB
Josi, com seu ex-aliado Laurez Moreira: “Das minhas emendas, grande parte delas é para Gurupi e vou continuar fazendo isso, independente de quem está na prefeitura”

CT – O Tocantins talvez vive a maior crise da sua história. Na sua visão, deputada, o que deu errado? Quais as mudanças necessárias para recolocar o Estado nos trilhos?

Josi Nunes: O Brasil está enfrentando esta crise, consequentemente todos os estados e municípios. Não dá para analisar um estado isoladamente. O que vejo que deu errado: um processo de gestão que comprometeu as finanças do nosso governo. Quando você gasta mais do que recebe, e gasta mais, e gasta mais, e gasta mais, chega um ponto que estoura. E foi o que aconteceu no Brasil. Nós temos um déficit imenso e o governo não está conseguindo ter, no mesmo nível do déficit, uma arrecadação suficiente para cobrir este buraco. E as despesas continuam ano a ano. Você vê que o governo não conseguiu atingir a meta [fiscal], infelizmente. Então, o que deu errado foi exatamente este mecanismo de gestão que tivemos um pouco no passado que não priorizou o equilíbrio fiscal. Isto é um fato.

Se você não economiza, nos primeiros anos, quando você tem uma sobra, um crédito, um saldo, ainda consegue fazer ações importantes para a comunidade, mas uma hora a fonte seca, e foi o que aconteceu. E isso atingiu todo mundo. O Brasil entrou nessa crise, não conseguiu compartilhar suas obrigações com os estados e municípios, e estão todos os gestores sofrendo.

Agora vejo que, dentro deste cenário caótico, o Tocantins tem sofrido um pouco menos. O Rio [de Janeiro] é um estado que deveria ser rico, ter um equilíbrio grande e riqueza para todos, é o exemplo do que a irresponsabilidade de gestões fez com o estado. Hoje os servidores públicos estão recebendo cestas básicas para poderem se alimentar, o seu salário está sendo dividido em até seis vezes, e o governo não está conseguindo cumprir. Esse é um exemplo do que pode acontecer em qualquer estado diante do cenário que estamos vivendo.

O Tocantins é um estado novo, que ainda não tem as dívidas que outros estados conseguiram ao longo do tempo, e é por isso que tem que fazer o seu dever de casa para evitar o que está acontecendo com outros estados, como o Rio [de Janeiro], Minas [Gerais], Rio Grande do Sul. São estados que deveriam estar fortes. Aqui o governo, com todas as dificuldades, está conseguindo pagar a folha mensalmente. Ele infelizmente não está conseguindo cumprir com esses direitos que foram aprovados na Assembleia, de data-base, de progressão, mas nós temos conversado com o governo, e ele tem procurado melhorar suas finanças para poder cumprir essas suas obrigações.

Mas ele tem conseguido ao menos manter a máquina pública funcionando. Há uma preocupação muito grande dele com relação a saúde, que é um problema grave. Nós da bancada estamos contribuindo, conseguimos no ano passado R$ 140 milhões de emenda de bancada. Nós da bancada também conseguimos recurso de R$ 84 milhões para a segurança pública. Estamos preocupados com a questão da infraestrutura. Estamos juntos com o governador Marcelo Miranda trabalhando as principais rodovias BRs do nosso Tocantins. Estamos trabalhando muito neste sentido e o governo conseguiu um financiamento para fazer recuperação da malha viária de 1.500 quilômetros, e já conseguiu recuperar mil quilômetros.

Outro problema grave, além da saúde e segurança, é a questão da seca. 11 mil cisternas foram instaladas, os caminhões pipa estão abastecendo. Vai amenizar um pouco o sofrimento da nossa comunidade. O governo tem prioridades. A coisa não está fácil, está difícil. Mas apesar das dificuldades, o governo do Tocantins tem buscado dar prosseguimento dessas atividades. Claro, poderia estar melhor; mas infelizmente o cenário nacional não permite.

CT – Alvo de operações da Polícia Federal, em débito com o funcionalismo, Marcelo Miranda enfrenta forte crise de imagem. Acredita que o governador seria um candidato forte no ano que vem? 

Josi Nunes: Acredito. Tanto que temos conversado muito com ele no sentido de que ele ainda não fez um declaração definitiva. Mas nós do partido temos conversado no sentido de que ele deve ser o nosso candidato. Estamos tentando estimulá-lo e ter uma definição maior neste sentido. Na minha avaliação é o melhor candidato para o Tocantins. Se diante dessa crise ele tem conseguido fazer essas ações e manter essa máquina funcionando, imagina o que vai poder fazer com uma situação mais tranquila. E estou confiante que o Brasil vai superar as dificuldades. Já temos alguns indícios de que isso está acontecendo. É claro que esses anos que nós perdemos vamos levar muito tempo para recuperar, mas tenho uma certeza que com uma situação mais tranquila, ele vai poder fazer muito mais.

CT – Pela sua fala entendi um trabalho do PMDB em convencer o Marcelo Miranda de demonstrar essa vontade de se candidatar. Existe algo que segura o governador de tentar a reeleição?

Josi Nunes: Não é no sentido de convencê-lo, é que nós achamos que ele já poderia fazer a declaração e colocar o seu nome. Mas isto sempre acontece, todo os outros governantes anteriores sempre deixam para o ano da eleição. É ansiedade nossa. Não há essa questão de convencimento. Ele é o nosso candidato, estamos muito seguros dentro do partido, entendemos que é o melhor. Vamos trabalhar para viabilizar essa candidatura e que ele seja nosso governador em um cenário melhor.

CT – Qual sua expectativa para o processo eleitoral do ano que vem?

Josi Nunes: Bom, esperamos que com a candidatura do nosso governador Marcelo Miranda à reeleição, a expectativa é da sua vitória. Que a gente possa também estar fazendo um grande número de deputados federais e estaduais da base para dar sustentação a este governo.

O cenário ainda está meio incerto porque nós temos vários nomes que estão se colocando, mas ainda não temos uma garantia que esses nomes serão realmente [candidatos]. Isso é natural. Estamos há um ano antes das eleições, este cenário, esta incerteza, esta procura de alguns nomes de poder se viabilizar faz parte do processo. Nós só vamos ter um quadro melhor só a partir do ano que vem.

CT – Na análise do PMDB, existe algum pré-candidato que vocês veem como mais competitivo?

Josi Nunes: Nós não fizemos uma avaliação neste sentido. Como ainda não está colocado ainda esses nomes em definitivo, nós estamos mais preocupados mesmos em otimizar nosso partido, trazer mais filiados. Nós vamos começar agora os encontros regionais do PMDB. Nossa grande preocupação neste ano que antecede as eleições é fortalecer o nosso partido.

Foto: Divulgação/Câmara
Sobre Amastha: “Fico preocupada com os políticos que tentam crescer falando mal de outros, denegrindo outros. Isso é triste”

CT – Qual avaliação a senhora faz da trajetória da senadora Kátia Abreu no PMDB?

Josi Nunes: No início houve um certo apoio. Na verdade, a senadora Kátia Abreu veio para o partido pelas mãos do presidente atual da República, foi ele quem trouxe. Não havia uma grande aceitação nossa para o período, mas nós estávamos vivendo um momento difícil, em que o presidente na época, o então deputado Júnior Coimbra, se lançava a governador. Então, houve uma cisão. Como ele era o presidente, poderia interferir nas candidaturas. Andamos mais de um ano em Brasília levando a problemática do Tocantins para a Nacional. Foi quando o próprio presidente atual da República, que era o presidente do nosso partido, veio e trouxe uma alternativa: “Olha, vamos filiar uma senadora, fortalecer o partido”. Isso resolveria a situação, porque ela viria e a gente equilibraria mais o quadro.

Na verdade nós não a queríamos porque não havia nenhuma identidade. Ela queria vir já assumindo a presidência do partido, nós não aceitamos isso no início, mas acabamos cedendo. O presidente do nosso partido pediu. Cedemos e abraçamos. Foi difícil conseguir apoio para a senadora. Nós já a apoiamos no passado e foi uma decepção. E a gente tentava vender uma outra imagem porque nós acreditamos. Eu fui para a campanha pedir voto com todas as dificuldades. Os municípios em que trabalho não a queriam, e nós fizemos convencimento. O governador Marcelo Miranda fez um convencimento na base e nós fomos quebrando barreiras. Tanto quebramos que foi difícil a senadora ser reeleita. Havia uma pesquisa que dizia que ela tava muito bem, e era falsa. Se não fosse esse trabalho dos apoiadores do governador Marcelo Miranda, a senadora com certeza não teria sido reeleita.

Mas foi eleita, achamos maravilhoso. Fizemos uma senadora, quatro deputados federais, vários estaduais. O partido estava bem. Mas infelizmente a senadora mais uma vez não correspondeu os anseios do nosso partido, mais uma vez nós fomos traídos. Um dia antes da posse, ela teve uma briga com o governador, rompeu, saiu de todo o processo, e virou uma inimiga. Tanto que chegou a assumir no governo Dilma [Rousseff] um posto importante de ministra, mas em nenhum deu as mãos ao governo para poder ajudar o Estado. Na verdade era sempre uma luta. Essa briga acabou prejudicando porque poderia ajudar o Tocantins como ministra, mas não ajudou.

O que vejo que está acontecendo hoje é que não há clima para a senadora continuar do partido. Não há uma identidade dela com o partido, para que permanecer? Para que ser expulsa? Se ela tem outros que pode ir com uma identidade maior um relacionamento melhor. Ela não se relaciona com ninguém do PMDB no Tocantins, também não se relaciona mais com ninguém do nacional. Isso sendo que ela fazia parte deste nacional. Às vezes ela nos critica pelo apoio que estamos dando ao presidente da República, mas ela veio para o PMDB pelas mãos deste presidente da República, ela era aliada deste presidente da República.

O que nós queremos é que haja uma definição. Claro que o diretório nacional não pode simplesmente expulsar, tem que fazer todo o processo legal, dar o direito de defesa, e esse processo está acontecendo. Mas nós do PMDB queremos um partido integrado, unido, junto, nas dificuldades e nas alegrias. Porque é muito fácil você estar junto em uma situação favorável. Agora, fidelidade é quando você está junto no momento bom ou no momento ruim. Mas sempre com uma perspectiva: trabalhando pelo Tocantins. E isso, infelizmente, não estamos vendo na postura da senadora.

CT – O que representa essa possível expulsão dela? Uma reunião do PMDB?

Josi Nunes: O partido já está unido, organizado, vai fazer seu trabalho. Só que é constrangedor nós termos um membro que diz que é do PMDB, está na sigla, mas não é. Que trabalha contra o nosso Estado, contra o governo que é do partido que está filiada, que não colabora em nível nacional para que as coisas possam melhorar um pouquinho mais. Vejo que é constrangedor para ela. Seria muito melhor para ela ter um partido em que possa ter identidade, fazer o seu trabalho. É constrangedor para ela. Mas nosso partido está unido, organizado, se por acaso acontecer alguma coisa dela ficar, o que eu acredito que não fique. Mas dentro do nosso partido ela não tem espaço.

CT – Amastha é citado como um dos principais pré-candidatos ao governo do Estado. Ele realmente representa o novo? Como a senhora recebeu as críticas dele à bancada federal?

Josi Nunes: Ele fez uma crítica generalizada, isso é lamentável. Depois se desculpou, disse que não era para todos, só para alguns. Mas, assim, eu discordo das pessoas que dizem: “eu não sou político”. Ora, se você se interessa pela comunidade, quer fazer a diferença, quer gerir uma cidade, você é político. Político é isso, é você querer fazer o bem, fazer a diferença, trazer resultados positivos para a sua comunidade. Isso é política.

Infelizmente, dentro da política nós temos bons e maus políticos, como em todas as áreas, mas todo mundo que passa por um processo eleitoral é político. Eu não concordo com essa questão do novo. Não vejo mais como novo porque já está aí, já foi prefeito, foi para um processo de reeleição. Respeito o prefeito Carlos Amastha. Se ele conseguiu chegar onde ele chegou, tem seus méritos. Sem dúvida nenhuma. Estou até tentando uma audiência com ele. Mas fico preocupada com os políticos que tentam crescer falando mal de outros, denegrindo outros. Isso é triste. A classe política já está tão desmoralizada e muitas vezes essas questões acabam denegrindo mais ainda essa imagem. Mas espero que ele faça um bom trabalho, na prefeitura de Palmas, e que a gente possa trabalhar juntos. Eu sou parceira, tenho colocado algumas emendas aqui. E o Marcelo Miranda governador, ele prefeito. Tá tudo bem.

CT – Vimos recentemente o rompimento entre a senhora e o prefeito Laurez Moreira. O que realmente aconteceu? Como fica o PMDB em Gurupi?

Josi Nunes: Eu já dei todas as explicações. Eu fiz nota, ele fez nota. Com relação a Gurupi, o PMDB não faz mais parte da administração do prefeito. Nós o apoiamos por duas vezes, mas hoje não fazemos parte da administração. Mas defendemos Gurupi e nós estamos ajudando a administração. Por exemplo, das minhas emendas, grande parte delas é para Gurupi e vou continuar fazendo isso, independente de quem está na prefeitura.

Já tivemos uma divergência, não fazemos mais parte, cada um vai para o seu lado e bola para frente. Vamos continuar o trabalho.

CT – E o futuro deputada? Tem alguma aspiração política maior?

Josi Nunes: O meu nome está à disposição do partido. Se o partido definir que posso estar ocupando alguma outra função, estou à disposição. Mas a princípio é para a reeleição. Já fui deputada estadual, acho que já cumpri minha missão. Se for possível quero continuar deputada federal, mas foi respeitar a vontade do nosso eleitor. É ele que tem a chave de quem fica e de quem sai. Eu vou respeitar. Sei que alguns momentos tive posições que podem ter decepcionado o eleitor, mas quero dizer para esta pessoa que não fico em cima do muro. Eu tomo decisões. Sabemos se essas decisões são certas ou erradas? Não tenho certeza. Mas no momento, todas as decisões que tenho tomado são com consciência. Eu faço uma avaliação, converso, analiso. Estou acreditando que as posições que tomei neste mandato é para proteger o Brasil.

CT – Com este rompimento com o prefeito Laurez Moreira, o PMDB de Gurupi vai ter que se realinhar. Nesta reorganização, é possível ver a deputada candidata a prefeita?

Josi Nunes: Sempre digo que às vezes a gente é levado pelo processo. Não só sua vontade que vale. O meu nome está à disposição, pode ser sim que eu possa ser candidata a prefeita de Gurupi, mas nós temos outros nomes lá. Eu vejo que o PMDB de Gurupi tem que ter representantes em várias áreas. Hoje estou a nível federal. Se eu conseguir ser reeleita, ótimo, posso continuar ajudando. Podemos ter outro nome, e temos bons nomes no PMDB, e outros que podem vir para o partido. Nós precisamos ter um representante a nível estadual. Então estamos organizando para que o partido e os aliados podemos estar tendo representativa em todas as áreas. O meu nome está a disposição, mas vejo que há outros nomes que podem contribuir para este processo. O importante é dar espaço para todos, e isso nós temos feito em Gurupi, fortalecer as nossas lideranças.